quinta-feira, 9 de junho de 2011

O Nosso Projecto 


Neste ano Europeu do Voluntariado e dando cumprimento a propósitos do Projecto Educativo da Escola Secundária de Raul Proença onde se lê: 
“Assim, defendemos que a missão da Escola deve proporcionar uma formação académica de qualidade, visando o desenvolvimentodo grau de qualificação, de autonomia e responsabilidade de todos os alunos, bem como o seu sucesso no acesso a níveis superiores de escolaridade e/ou na qualificação para a sua integração na vida activa” e: “Defendemos, igualmente, que a missão da Escola deve assegurar uma formação integral e integrada, capaz de garantir o desenvolvimento dos seus interesses, capacidades, espírito crítico e criatividade, em harmonia com valores de solidariedade, respeito mútuo e de democraticidade, numa perspectiva de cidadania”, o Núcleo de Formação Pessoal e Cidadania (NFPC) tomou como missão organizar o núcleo de voluntariado Raul Proença.

O projecto Voluntários ESRP tem como principais objectivos a promoção do voluntariado na comunidade escolar, como fonte de desenvolvimento pessoal e de formação (com o foco na oportunidade de desenvolvimento de competências) e a contribuição para a satisfação das necessidades das Instituições parceiras, trabalhando com e para as pessoas da instituição.

Este empreendimento surgiu após uma reflexão séria, baseada  num estudo realizado sobre o papel da escola e da educação não formal na construção das identidades juvenis (a dissertação de mestrado -  “Da Escola Atribuída à Escola Reclamada: o lugar da escola na construção das identidades pessoais dos jovens”)  onde concluí, entre várias temáticas, sobre os efeitos do voluntariado na vida dos/das jovens que o experienciaram.

A escola será mediadora para com a comunidade, assegurando a formação inicial do/a voluntário/a, que ficará a cargo do NFPC (Núcleo de Formação Pessoal e Cidadania) , e acompanhando-o, informalmente, no seu percurso.

Desta forma, sabemos que as  acções de voluntariado estimulam uma dimensão ética. Ampliam a rede de sociabilidades dos jovens, o que os valoriza individual e colectivamente. Ao permitir que se conheçam melhor, a si próprios, leva-os, também,  a descobrir a existência dos outros e de outras realidades, que não as suas.
Na escola, enriquece o processo ensino-aprendizagem, complementando o trabalho em sala de aula e proporcionando uma compreensão mais profunda dos conteúdos abordados nas diferentes disciplinas, uma vez que permite relacionar teoria e prática. De acordo com o estudo já referido, o voluntariado pode contribuir para aumentar o número e a qualidade das interacções estabelecidas dentro da família, da escola e com a comunidade local, incitando à participação e a uma maior vivência e consciência democráticas.  

Aprender com a experiência pode levar a uma política escolar em que se valorizem outros ramos de ensino que não apenas os gerais e que permita conciliar modos de aprendizagem baseados nas experiências sociais dos/das alunos/as e nas exigências do mercado de trabalho, prever formas de aceder à aprendizagem de tipo tradicional e ajudar a que os professores adoptem a mudança do modelo escolar, contribuindo para que os jovens se transformem em sujeitos em aprendizagem diminuindo, assim, o choque com o mercado de trabalho.

O voluntariado contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional. O voluntário pode desenvolver as suas competências profissionais, habilidades de comunicação, experiência, empreendedorismo, adquirir contactos, elevar a auto-confiança…

Os voluntários também podem pensar em si mesmos como pessoas que fazem a diferença para o bem e isso pode ser divertido e estimulante de uma cidadania activa.
 Também habilidades de trabalho e hábitos de trabalho são formadas mais cedo.

Seja o que for o que a pessoa realmente aprenda, o trabalho voluntário – fornecendo habilidades e experiência relevantes – será sempre uma vantagem no momento de, escolher uma área de estudos, um curso,  procurar um emprego.

Uma carta de recomendação do/a coordenador/a do trabalho voluntário deverá ser uma mais valia para os percursos pessoais e profissionais de cada um.
Defendemos que o voluntariado é uma empresa social e que os jovens irão gostar da oportunidade de conhecer pessoas, aprendendo o verdadeiro significado de fazer coisas pelos outros e de fazer amigos.

Embora focalizado nos/nas jovens, este projecto está aberto a toda a população da Escola Secundária de Raul Proença e pretende dar resposta a necessidades/vontades concretas de todos.

Assim, todas as áreas de intervenção serão possíveis (ambiente, educação, cultura, saúde, assistência social, lazer, defesa de direitos, cidadania…) assim como diferentes públicos (crianças, jovens, idosos, comunidade…)
Pretende-se, neste processo, valorizar e desenvolver aprendizagens de convivência social tais como: aprender a conviver com a diferença; aprender a comunicar; aprender a interagir; aprender a decidir em grupo; aprender a ser empreendedor; aprender a zelar pela saúde; aprender a cuidar do ambiente; aprender a valorizar o saber social.
Podemos, então, concluir que cultivar a solidariedade como o valor que mais e melhor fará desenvolver a cidade e o mundo que habitamos e que queremos que tenha um rosto cada vez mais humano, indo ao encontro do Projecto Educativo da Escola Secundária de Raul Proença, será o grande objectivo dos “Voluntários ESRP”.

Já fizemos uma primeira apresentação pública deste projecto na nossa escola.

 Temos página no facebook – Voluntários ESRP


blog:

Entidades a colaborar:
  • Projecto Ponto de Ajuda das Caldas da Rainha
  • Centro de Educação Especial Rainha Dª Leonor
  • Centro Hospitalar Oeste Norte (CHON): Pediatria
  • Liga dos Amigos do Hospital
  • Gabinete de Apoio ao Empresário - GABINAE
  • Rede Leonardo - animais
  • Santa Casa da Misericórdia das Caldas da Rainha
  • Centro Social e Paroquial das Caldas da Rainha
  • Centro da Juventude das Caldas da Rainha
  • Jornal "Gazeta das Caldas"
  • Condomínio D. Dinis - Lar de Idosos
  • Associação Industrial da Região do Oeste - AIRO
  • Banco Alimentar
  •  (...)
Outros contactos já foram realizados, nomeadamente com mais Lares e Centros de Dia da região.

O núcleo de voluntariado começou a constituir-se, estruturadamente, em Março, deste ano. Neste momento, tem 30 voluntários em acção ( desde Abril) e vários inscritos.

Dia 4 de Maio arrancou, na Escola, com 32 pessoas (entre alunos/as, pais/encarregados de educação, docentes, auxiliares de acção educativa e pessoal administrativo) com idades comprendidas entre os 15 e os 60 anos, um Curso de Formação de 20 horas, o Programa de Competências para Cuidar do Idoso.  
O objectivo deste curso é o de fomentar a proactividade de actuação dos cuidadores informais junto de idosos em situação de vulnerabilidade, de modo a melhorar a sua qualidade de vida no seio familiar.

A formadora é a Drª Leonor Santos , técnica Superior de Serviço Social do projecto Ponto de Ajuda – contrato local de desenvolvimento social. No final do curso será passado um certificado pelo Ponto de Ajuda.  Os participantes ficarão, também, melhor preparadas para a prática do voluntariado com idosos.

A constituição dos “Voluntários ESRP” foi apresentado ao Conselho Geral, à Direcção, Conselho Pedagógico, Associação de Estudantes e Associação de Pais e Encarregados de Educação desta escola e foi bastante incentivado por todos. Pretendemos também envolver neste projecto todas as pessoas que se aposentaram e que têm vontade de colaborar num trabalho inter-geracional que se preocupa com o Bem Comum.
Estivemos presentes no Encontro de Voluntariado "Criar Raíz", em Óbidos, no dia 20 de Maio, e demos uma palavrinha à Drª Elza Chambel.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Deveres do voluntário


Ser voluntário é uma das melhores e mais gratificantes experiências. Porém, exige que sejam cumpridas certas regras para connosco, para com a organização promotora, para com os profissionais, mas também para com os outros voluntários. Nós, Ana Sernadas e Catarina Tavares, fomos a uma formação que a Liga dos Amigos do CHON disponibilizou aos voluntários e registámo-las. Apresentamo-vos as mais importantes:

* Para com os destinatários da sua acção:

** Respeitar a vida privada de cada utente, a sua dignidade, as suas convicções ideológicas, religiosas e culturais;
** Guardar sempre sigilo sobre os assuntos pessoais
** Usar o bom senso nas situações imprevistas que vão surgindo
** Garantir a regularidade do exercício do trabalho do voluntário
** Actuar de forma gratuita e desinteressada, sem esperar qualquer tipo de remuneração

* Para com a organização promotora:

** Conhecer e respeitar os estatutos da organização
** Actuar de forma diligente, isenta e solidária

* Para com os profissionais:

** Colaborar com os profissionais da associação
** Respeitar o seu trabalho e sabermos colocarmo-nos no nosso lugar
** Contribuir para uma relação de respeito mútuo

* Para com os outros voluntários:

** Facilitar a integração e formação dos novos voluntários
** Compreender que todos somos pessoas diferentes e, que por isso, actuamos de diferentes formas nas mais diversas situações

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Não custa nada ser voluntário!

"Eu sou a Vanessa, uma das alunas que faz voluntariado no CEERDL (Centro de Educação Especial Rainha D. Leonor) e iniciei esta actividade há mais de um mês. No inicio estava com receio de não conseguir ajudar, e que corresse mal.
No primeiro dia eu e duas colegas fomos logo de manha para lá e ainda não tinha chegado quase ninguém, depois começaram a chegar os utentes do centro, alguns chegaram-se logo perto de nós para nos cumprimentar e dar os bons dias. A D. Leonor mostrou-nos as instalações e apresentou-nos aos utentes e aos funcionários.
Agora, quando estou no inicio da semana, já penso na quinta-feira (o dia em que vou fazer voluntariado) curiosa e muito ansiosa para saber o que vou fazer e como vai correr. Uma coisa que se passou comigo e eu gostei foi que quase todos os dias que lá fui a D. Leonor disse-me para ir para salas diferentes das que tinha estado antes, e para mim foi ainda melhor porque assim vou conhecendo melhor o trabalho de cada sala e conhecer melhor cada uma das pessoas que está a trabalhar nelas.
Fico tão contente quando os vejo no intervalo a dançarem todos alegres e eu própria danço com eles, brincamos juntos. Depois é muito gratificante conhecermos cada um deles e saber mais ou menos o tipo de pessoa que são, saber o que eles não gostam ou o que gostam.
E como já referi um dia, ali somos nós que somos diferentes e não eles, porque aquelas pessoas entendem-se umas às outras de uma forma muito especial, e para mim é muito bom ver isso. Já 'ganhei' muito com este voluntariado, apesar de ainda ser pouco o tempo mas, espero 'ganhar' muito mais, e sobretudo poder ajudá-los ainda mais. Para quem não tem nenhuma actividade fora das aulas ou do trabalho, acho que podia optar por fazer voluntariado porque não há melhor sensação do que sentirmo-nos úteis a ajudar os outros, sem pedir nada em troca.
Com o voluntariado não se perde nada, por isso digo que quem quiser fazer voluntariado, informe-se e comece, não é preciso ser com pessoas pode ser com animais, pode ser simplesmente escolher ou fazer recolha de comida ou roupa, mas faça voluntariado, até para quem tem uma vida muito sedentária esta é uma boa oportunidade para ter algo de novo na sua rotina. Pode ser adulto, jovem, idoso pode ser qualquer pessoa basta só querer ajudar."

Vanessa Garcia, ESRP

Ser voluntário é algo de bom!

"O meu nome é Catarina Pedro e sou voluntária no Centro de Educação Especial Rainha Dona Leonor (CEERDL). Aqui só se encontram pessoas cuja idade é superior a dezoitos anos e participo nas actividades como equitação, natação, artes plásticas, acompanhamento na carrinha e assistência no refeitório. A necessidade de me tornar útil apoderou-se de mim. Sabia que poderia ocupar o meu tempo fazendo algo de gratificante não só para mim como também para os outros. Optei por aproveitar a minha manhã livre de quinta-feira e decidi estar lá três horas (das 9:30h às 12:30). 
O que mais me espanta neste tipo de trabalho é a capacidade que cada um tem de fazer uma determinada tarefa e saber as limitações de cada um. A ideia que eu tinha inicialmente era totalmente diferente até perceber que quem era ali diferente era eu e não eles! Penso que uma pessoa que seja dinâmica, atenciosa e com espírito para trabalhar consiga na perfeição fazer tudo de modo a agradar a todos!   Não te deixes ficar com “macaquinhos na cabeça” e experimenta este tipo de actividades! Sou voluntária e tu também o podes ser!"

Catarina Pedro, ESRP

Um incentivo

 "1-    Porquê fazer voluntariado no CAT (Centro de Acolhimento Temporário)? A minha ligação ao CAT começou há cerca de 7 anos, quando conheci um menino que lá viveu... Dávamo-nos muito bem, ele chegou a ir a minha casa lanchar e jantar. Mas houve um dia em que lá fui, e ele já não vivia no CAT. Perguntei o que era feito dele e ninguém me soube responder. Até que fui perguntar a uma rapariga, que também vivia no CAT, o que era feito dele e ela disse –me que o meu amigo tinha sido adoptado… Estive 5 anos sem saber NADA dele, mas há coisa de uns meses, graças a este sitio onde agora nos encontramos – o facebook - reencontrei-o e finalmente respondi à pergunta “será que ele está bem? 
2 - No Domingo, dia 10 de Abril, a Caixa Geral de Depósitos fez 135 anos e integrado no projecto voluntário caixa, organizou-se uma ida ao CAT, como a minha madrinha é trabalhadora da caixa convidou-me para eu ir também, então eu fui... E vivi uma das melhores experiências que vivera até então. Foi uma tarde tão divertida, tão cheia de sorrisos, mimos, jogos, comida, alegria… Eu quero voltar a viver tudo aquilo, pois, aquela tarde deu-me tanto… senti-me tão bem ao estar lá. É por isso que quero voltar a fazer voluntariado no centro, quero voltar a sentir-me útil, quero voltar a sentir o que senti! Um voluntário dá muito, mas recebe muito mais! E eu naquela tarde, dia 10, quando cheguei a casa, senti-me tão cheia de algo bom, senti que fiz alguém feliz, nem que seja só naquele bocadinho, mas ao menos fiz, não fiquei em casa a ver televisão, a olhar para as paredes...
3-    Não custa nada, pelo contrário, é um momento agradável que se passa, embora nem tudo seja cor-de-rosa... Aquelas crianças têm vidas difícies, por isso, é que estão ali... É por isso que são precisas pessoas para os fazer sorrir. É este o meu motivo para querer ir para o CAT. Sejam voluntários! Não importa em que associação, mas sejam, porque há sempre quem precise! Mas nunca se esqueçam que ser voluntário tem muito que se lhe diga e não o sejam só para dizerem aos vossos amigos que o são!"  


Maura Leandro, ESRP

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Pequeno testemunho

Apresentamos aqui um pequeno testemunho de uma voluntária nossa amiga:

«Afinal, o que é o voluntariado? Decidi ir ao dicionário e descobri a seguinte definição: “Qualidade, condição de quem é voluntário (...)”. Então e o que é isso de ser voluntário? Fui novamente ao dicionário, onde encontrei inúmeras explicações, uma delas dizia: “Aquele que realiza um trabalho por vontade própria e sem receber em troca qualquer espécie de remuneração.”. Mas será mesmo isso o voluntariado? Será apenas esse o papel do voluntário? Será que o voluntariado se resume apenas ao que está escrito no dicionário? Bem, admito que sou nova por estes lados, mas parece-me que não se trata apenas disso. O voluntariado é muito mais do que qualquer definição que possa ser escrita, é muito mais do que um testemunho como este, é muito mais do que qualquer explicação. O voluntariado é entrega; é empenho; é dedicação. É ser feliz a ajudar quem precisar; é fazer alguém feliz. É estar lá para ajudar, brincar, aprender, ensinar, conversar, apoiar, e muito mais! É ter um sorriso para quem precisa. Eu faço voluntariado na pediatria do hospital da cidade onde vivo. Para mim, a maior recompensa e o que me faz mais feliz, é quando vejo um sorriso na cara daquelas crianças; quando vejo que se estão a divertir, que estão felizes; quando não querem que eu me vá embora porque querem brincar mais. É caso para dizer: “Não se explica, sente-se”. »

Por Maria Inês Garcia, ex-aluna da ESRP